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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

PSICOLOGIA JURÍDICA


Karina Bessa
Advogada e Psicóloga

A Psicologia, inegavelmente, desempenha importante função junto ao Direito. Pode-se afirmar que ambos tem a conduta humana como ponto de interesse; mas enquanto o Direito busca estabelecer padrões objetivos de conduta em sociedade, inclusive sancionando os desvios nesse sentido, propõe-se a Psicologia a investigar e entender o efetivo comportamento humano, subjetivamente considerado.

Assim, como resultado do reconhecimento da contribuição que a Psicologia pode trazer ao Direito, surgiu a Psicologia Jurídica. Entre outros benefícios para a sociedade, essa integração entre as referidas ciências permite a elucidação de muitas questões frequentemente submetidas ao Poder Judiciário.

O psicólogo jurídico é um profissional cuja atuação se revela por vezes imprescindível em processos envolvendo separação, divórcio, disputa de guarda, regulamentação de visitas, adoção, destituição do poder familiar, interdição, aplicação de medidas sócio-educativas a menores infratores, necessidade de apuração das motivações de crimes sob a ótica dos criminosos, apoio a vítimas de delitos ou a testemunhas, entre outras tantas situações, nas quais é preciso compreender as causas de uma conduta, orientar uma atitude, ou até mesmo prevenir danos emocionais.

Embora se possa considerar a Psicologia Jurídica uma área ainda emergente, os operadores do Direito dela cada vez mais se socorrem, na certeza de que o laudo, o parecer, a manifestação, a orientação ou qualquer outra forma de auxílio proporcionado pelo trabalho do psicólogo jurídico, é o que viabiliza, em muitos casos, o sempre almejado encontro do Direito com a justiça.

Autora: Karina Alecrim Bessa.

Advogada e Psicóloga.

Publicado no periódico "A Crítica", Manaus-AM, pag. C7, Coluna "Direito de Expressão", no dia 30/08/2011. Direitos autorais reservados.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ALIENAÇÃO PARENTAL


Profissionais da saúde mental, bem como profissionais da área jurídica que atuam no Direito de Família, não podem prescindir do conhecimento da chamada Síndrome da Alienação Parental. Esta foi cunhada por Richard Gardner, em 1985 e se refere a uma programação da criança por um dos genitores ou por terceiros para ser hostil em relação ao outro genitor.

A Síndrome da Alienação Parental constitui abuso emocional, pois conduz ao distanciamento afetivo da criança de um genitor amoroso e com quem costumava manter um bom vínculo emocional.

O genitor que procede a campanha denegritória do outro, geralmente conhece os pontos fracos do ex-cônjuge. Assim, muitas vezes, não apenas a criança, mas os profissionais acabam sucumbindo a tal campanha difamatória, tomando o difamador como a vítima.

Em 26 de agosto de 2010 entrou em vigor a Lei nº 12.318, que dispõe sobre alienação parental. A legislação brasileira considera ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie um genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

A inclusão dos avós na legislação brasileira é bem vinda, posto que muitas crianças durante o processo de separação dos pais acabam ficando sob a guarda dos avós ou, muitas vezes, residem na companhia deles.

Ainda nos termos da Lei, são formas exemplificativas de alienação parental:

Realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; dificultar o exercício da autoridade parental; dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço; apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente; mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor.

Caracterizados atos típicos de alienação parental, o juiz pode desde declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador até mesmo declarar a suspensão da autoridade parental, sem prejuízo da decorrente responsabilidade civil ou criminal.



KARINA ALECRIM BESSA

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A CLEPTOMANIA


A cleptomania constitui um transtorno do controle dos impulsos. Caracteriza-se pela impossibilidade de resistência ao impulso de furtar objetos de baixo valor monetário, que o sujeito até poderia comprar, ou desnecessários ao seu uso.

Os portadores desse transtorno são acometidos de uma crescente tensão subjetiva antes de efetivar o furto e, logo após realizá-lo, sentem prazer, satisfação e alívio. Entretanto, na sequência, são invadidos por culpa, vergonha e arrependimento, características de seu funcionamento egodistônico.

Os objetos furtados tendem a ser descartados, dados como presentes a terceiros ou até mesmo devolvidos disfarçadamente. Alguns sujeitos, todavia, podem desenvolver características de colecionismo.

Trata-se de uma doença rara, que acomete menos de 5% das pessoas que furtam. O momento de sua manifestação inicial é variável, podendo ocorrer na infância, na adolescência ou na vida adulta. Sabe-se também que aproximadamente 2/3 dos portadores de cleptomania são do sexo feminino.

Quanto aos aspectos jurídicos da cleptomania, impõe-se inicialmente diferenciá-la dos atos comuns de furto. A principal distinção reside no fato de que estes (planejados ou impulsivos) sempre são motivados pela utilidade do objeto ou por seu expressivo valor monetário, o que não ocorre na cleptomania.

Tem-se notícia, por outro lado, de tentativas de simulação de cleptomania, com o propósito de evitar a incidência das consequências penais cabíveis. Esse tipo de comportamento parte principalmente de portadores de transtorno de personalidade antissocial, ou transtorno de conduta. Daí a necessidade de cautela e atenção no diagnóstico dessa rara doença, diante dos casos concretos.

Autora: Karina Alecrim Bessa.

Advogada e Psicóloga


Publicado no periódico "A Crítica", Manaus-AM, pag. C7, Coluna "Direito de Expressão", no dia 08/03/2011. Direitos autorais reservados.

terça-feira, 12 de abril de 2011

O Assassino de Realengo




Na última quinta-feira, todo o país ficou chocado diante de um acontecimento que parecia distante de nossa realidade, com precedentes apenas em outros países: um jovem armado invadiu uma escola, matou 12 crianças e em seguida se matou. Tragédia que não foi maior graças à intervenção da polícia.

Surge então a pergunta: o que teria motivado tamanha atrocidade ? Defendem alguns que a carta deixada demonstra ter sido o massacre planejado e articulado, por isso Wellington não seria, em tese, um doente mental. Entretanto, vale lembrar que um esquizofrênico é alguém que rompe com a realidade, mas pode até planejar suas ações, embora dentro de uma lógica própria.

A verdade é que, com a morte do assassino, seu perfil psicológico e a motivação do crime jamais serão conhecidos. Assim, não há como se afirmar categoricamente se o atirador era esquizofrênico e estava rompido com a realidade, ou se era apenas um psicopata frio. Contudo, se vivo estivesse, é certo que seria retirado do convívio da sociedade.

Nosso Direito prevê penas diante da culpabilidade, e medidas de segurança em razão da periculosidade. Penas tem prazo pré-estabelecido, mas medidas de segurança tem apenas prazo mínimo: sua duração máxima é indeterminada.

Logo, caso Wellington estivesse vivo e fosse considerado imputável, seria condenado a uma pena tal, mas pelo sistema jurídico brasileiro, cumpriria no máximo 30 (trinta) anos de efetiva prisão. Por outro lado, se fosse considerado inimputável – porque rompido com a realidade – seria recolhido a um manicômio judiciário, e lá é possível que permanecesse até o fim de sua vida. Isto porque, para sair do manicômio, é necessário comprovar a cessação de sua periculosidade, atestada mediante laudo médico-psiquiátrico.

Autora: Karina Alecrim Bessa.


Publicado no periódico "A Crítica", Manaus-AM, pag. C7, Coluna "Direito de Expressão", no dia  12/04/2011. Direitos autorais reservados.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Auto Estima de Nossos Filhos. Por Stephen Kanitz.

Uma semana depois de minha esposa e eu decidirmos começar uma família, entramos numa livraria e compramos dois livros sobre como educar filhos. Por uma série de razões os dois filhos só nasceram seis anos depois e acabamos lendo não dois, mas 36 livros. Se dependesse de teoria, estávamos preparados. Hoje eles estão crescidos e um amigo me perguntou que livros nós havíamos utilizado mais. Foi uma boa pergunta que demorei a responder. Usamos um livro só, um que educava mais os pais do que os filhos. Intitula-se 'A Auto-estima do seu filho' de Dorothy Briggs, e o título já diz tudo.

A tese do livro é como agir para nunca reduzir a auto-estima do seu filho: elogiá-lo freqüentemente, ouvir sempre suas pequenas conquistas, festejar as suas pequenas vitórias, nunca mentir ou exagerar neste intento, em suma mostrar a seus filhos seu verdadeiro valor. Ao contrário do que defendem os demais livros, não é uma boa educação, nem disciplina, nem muito amor e carinho, ou uma família bem estruturada que determinam o sucesso de nossos filhos, embora tudo isto ajude.

A sacada mais importante do livro, no nosso entender, foi a constatação que filhos já nascem com uma elevada auto-estima, e que são os pais que irão sistematicamente arruiná-la com frases como: 'Seu imbecil!', 'Será que você nunca aprende?', 'Você ficou surda?'. Jean Jacques Rousseau errou quando disse que "o homem nasce bom, mas é a sociedade que o corrompe". São os próprios pais que se encarregam de fazer o estrago.

Por exemplo: você, pai ou mãe, chega do trabalho e encontra seu filho pendurado na cadeira: 'Desça já seu idiota, vai torcer o seu pescoço'. Para Dorothy, a resposta politicamente correta seria 'Desça já, mamãe tem medo que você possa se machucar'. Primeiro porque seu filho não é um idiota, ele assume riscos calculados. Segundo são os pais, com suas neuroses de segurança, que têm medo de cadeiras.

Quando nossos dois filhos começaram a aprender a pular, entre três e quatro anos de idade, desafiava-os para um campeonato de salto a distância. Depois de algumas rodadas, seguindo a filosofia do livro, deixava-os ganhar. Ficavam muito felizes, mas qual não foi a minha surpresa quando na sétima ou oitava rodada, eles começavam a me dar uma colher de chá, deixando que eu ganhasse. Que lição de cidadania: criança com boa auto-estima não é egoísta e se torna solidária.

Eu não tenho a menor dúvida de que os problemas que temos no Brasil em termos de ganância empresarial, ânsia em ficar rico a qualquer custo que leva à corrupção, advêm de um pai ou uma mãe que nunca se preocuparam com a auto-estima de seus filhos.

Eu acho que políticos, professores e intelectuais, na maioria desesperados em se autopromover, jamais darão oportunidades para outros vencerem, como até crianças de três anos são capazes de fazer. A fogueira das vaidades só atinge os inseguros com baixa auto-estima.

Alguns pais fazem questão até de vencer seus filhos nos esportes para acostumá-los às agruras da vida, como se a vida já não destruísse a nossa auto-estima o suficiente.

A teoria é simples, mas a prática é complicada. Uma frase desastrada pode arruinar o efeito de 50 elogios bem dados. 'Meu marido queria que o segundo fosse um menino, mas veio uma menina'. Imaginem o efeito desta frase na auto-estima da filha. Portanto, quanto mais cedo consolidar a auto-estima melhor.

Esta tese, porém, tem seus inconvenientes. Agora que meus filhos são muito mais espertos, inteligentes e observadores do que eu, tenho que ouvir frases como: 'É isto aí Pai', 'Faremos do seu jeito, pai', tentativas bem-intencionadas de restaurar a minha abalada auto-estima.

Publicado na Revista Veja edição 1 650 de 3 de maio de 2000.

KARINA ALECRIM BESSA

quinta-feira, 3 de março de 2011

Luto - Como ajudar a criança a lidar com a morte.

Há sempre muito receio em abordar a finitude da vida com as crianças.

Li o artigo abaixo e achei muito elucidativo, por isso estou compartilhando.

"Contando para a criança:

Quando uma morte ocorre, alguém com quem a criança tenha uma história de confiança e envolvimento deve contar para ela. Isso a assegura de que ela não está sozinha e de que há outras pessoas para lhe prover proteção e cuidado. Esta informação deve ser dada imediatamente para a criança, em linguagem simples e direta. Você diz: “ O vovô, papai, mamãe, João morreu”. Pode ser difícil de dizer, especialmente sem lágrimas. Não há problema que a criança experiencie seu luto juntamente com seu próprio luto. Você a está ensinando a lidar naturalmente com seus sentimentos quando você não esconde os seus. Quando você pode dizer “Estou muito triste porque o papai morreu”, “Estou bravo porque mamãe não está mais aqui para cuidar de nós”, você está ensinando um recurso para a criança que irá perdurar para sempre.

Após contar que um ente querido morreu, você precisa explicar o que acontecerá depois, o velório e o funeral. A criança terá muitas dúvidas. O que ela irá querer saber dependerá de sua idade e experiência prévia com a morte. Geralmente crianças pré-escolares não entendem que a morte é final; podem perguntar ”Quando vovó vai voltar?”. Entre cinco e dez anos crianças começam a entender que a morte é irreversível, mas acreditam que somente pessoas velhas e vítimas de acidentes morrem. se uma pessoa relativamente jovem morre, irá entender o porquê. Após os 10 anos a criança começa a entender que a morte é parte da ordem natural das coisas e que as pessoas morrem em todas as idades, por diversas razões.

É importante responder as questões o mais simples e honestamente possível. Evite utilizar metáforas. Se você diz para uma criança pequena “O vovô está dormindo para sempre”, por exemplo, ela pode ficar com medo de dormir.

Crianças comumente concluem que de alguma forma causaram a morte. Podem pensar “Eu fui mau, então minha mãe me abandonou”, ou “Eu desejei que minha irmã morresse e isso aconteceu”. Diga para a que ela não tem culpa pelo que aconteceu.

Reações da criança à perda:

A criança pode negar inicialmente que a morte ocorreu. Pode tornar-se agressiva e culpar os demais pela morte, ou ter raiva da pessoa que morreu, por deixá-la. Pode sentir-se culpada por não ter sido “boa” para a pessoa que morreu e ficar deprimida. Ainda que a criança possa aparentemente não estar sofrendo, expressa sua dor de modos mais sutis, como regredir e começar a chupar o dedo, molhar a cama e agir como bebê. pode ficar hostil com os colegas ou tratar seus brinquedos com violência. Pode desejar ou temer morrer.

Ajudando a criança a lidar com a perda:

Como os adultos, a criança precisa enlutar-se para aceitar que a perda ocorreu e continuar com sua vida. Seu filho irá tomar o seu exemplo, por isso não tenha medo de expressar seu próprio luto . Chore e deixe que seu filho chore com você. Não diga a seu filho que “seja forte, não chore”. Esta é uma situação triste, e a criança precisa expressar sua tristeza.

Converse com seu filho e o encoraje a falar também. Mostre que é permitido falar sobre a pessoa que morreu. Mesmo que a criança seja muito pequena para falar sobre a morte, você pode compartilhar seus sentimentos. O carinho irá confortar a criança que sente a angústia na família, mesmo que ela não entenda o que aconteceu. Criança cercada pela tristeza precisa ser reassegurada de que é amada.

É uma boa idéia levar a criança ao funeral, mas não a force a ir. Crianças como os adultos precisam dividir sua dor. O funeral permite que as pessoas se juntem e expressem seus sentimentos. A criança deve receber uma explicação detalhada do funeral antes de decidir se quer ir.

Lembre que a relação da criança com o falecido não acabou, somente mudou. Após o funeral mantenha fotos e outras lembranças do falecido para conversar sobre elas com a criança. Isto irá ajudar a formar um novo tipo de vínculo da criança com a pessoa que morreu."

Fonte:
Quatro Estações - Instituto de Psicologia


KARINA ALECRIM BESSA

sábado, 26 de fevereiro de 2011

É hoje!!! E o vencedor do sorteio é....

E o número 20 é...

LÍVIA KEITH LELIS DA SILVA!!!

PARABÉNS!!!

Estarei entrando em contato, via e-mail, para realizar o envio do livro.

Tenho certeza que você vai adorar meditar com Daniel Goleman!

Para os que não foram sorteados: não desanimem. Novos sorteios virão!

Preciso compartilhar com vocês minha primeira experiência com sorteios. Vocês sabem que sou aprendiz no assunto "blog". Assim, quando decidi realizar este sorteio pesquisei na internet sobre como poderia viabilizá-lo e encontrei um material muito bom no blog "Báhh Blog", da Bárbara.
As orientações do blog da Bárbara foram fundamentais, pois aprendi a usar o "google docs" e o "random.org". Entretanto, hoje após realizar o sorteio no "random.org" passei um sufoco: não conseguia salvar a imagem com o número sorteado para postar no blog.  Conforme orientação que obtive no Bláhh Blog, tentei usar o "print screen", mas não tenho programa para editar imagens (ou se tenho ainda não aprendi a usar..rs...), daí copiei para o Word e não conseguia salvar no formato imagem (claro!..rs..).
Tentei de todas as formas, inclusive inserindo como "gaget em html". Mas, para minha surpresa, a janelinha do "random.org" apareceu em branco e eu já havia sorteado o númeero 20 lá no "random.org"! Pensei: e agora? Bom, sabem como resolvi a situação? Imprimi a janela com o número sorteado e escaneei. Por favor, não rolem de rir! :)

Um sábado maravilhoso a todos!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Terapia Cognitiva

Penso, logo sinto.

A terapia cognitiva é uma abordagem estruturada, diretiva, ativa, de prazo limitado, usada para tratar uma variedade de transtornos psiquiátricos (por exemplo, depressão, ansiedade, fobias, queixas somáticas, etc.). Ela se fundamenta na racionalidade teórica de que o afeto e o comportamento de um indivíduo são, em grande parte, determinados pelo modo como ele estrutura o mundo (Beck, 1997).

O modelo da terapia cognitiva baseia-se na visão de que estados estressantes, como ansiedade e depressão, frequentemente são mantidos ou exacerbados por maneiras de pensar exageradas ou tendenciosas. O papel do terapeuta é ajudar o paciente a reconhecer seu estilo idiossincrático de pensamento e a modificá-lo pela aplicação da evidência e da lógica. Portanto, a terapia cognitiva origina-se de uma linha antiga e respeitada de modelos baseados na razão, como os diálogos socráticos fundamentados na lógica e o método aristotélico de coleta e categorização de informações sobre o mundo real (Leahy, 2006).
A terapia cognitiva é um modelo em que as situações ativam pensamentos, que geram uma conseqüência com respostas emocional, comportamental e física. Há uma interação recíproca de pensamentos, sentimentos e ambiente (Knapp, 2004).

Qualquer alteração em um dos componentes supracitados interfere nos demais. O trabalho na terapia cognitiva inicia geralmente tentando identificar os pensamentos automáticos. Todos temos pensamentos automáticos, eles não são exclusivos de portadores de transtornos psiquiátricos (Wright, 2008).

Temos milhares de pensamentos diariamente, muitos dos quais passam totalmente despercebidos, porque não estamos conscientes deles. Constantemente interpretamos e avaliamos situações que ocorrem conosco. Quando as pessoas tem problemas, algumas vezes é porque elas interpretam os eventos inadequadamente e, em conseqüência, reagem de uma forma inadequada. Outras vezes, a pessoa enxerga a situação de uma forma acertada, mas não sabe lidar com ela de maneira adequada. Na terapia cognitiva, o trabalho é principalmente identificar os pensamentos que passam na cabeça da pessoa, descobrir se as avaliações e interpretações que ela dá para as situações estão acertadas e se é útil pensar e olhar para as coisas da forma como a pessoa olha (Knapp, 2004).

O autor nos apresenta um quadro com as principais distorções cognitivas (pensamentos disfuncionais), vejamos abaixo:

1. CATASTROFIZAÇÃO : pensar que o pior de uma situação irá acontecer, sem levar em conta a possibilidade de outros desfechos. Acreditar que o que aconteceu ou irá acontecer será terrível e insuportável. Eventos negativos que podem ocorrer são tratados como catástrofes intoleráveis, em vez de serem vistos em perspectiva.
Exemplos: perder o emprego será o fim da minha carreira. Eu não suportarei um divórcio. Se eu perder o controle, será meu fim.

2. RACIOCÍNIO EMOCIONAL: presumir que sentimentos são fatos. “sinto, logo existe”. Pensar que algo é verdadeiro porque tem um sentimento (na verdade um pensamento) muito forte a respeito. Deixar os sentimentos guiarem a interpretação da realidade. Presumir que as reações emocionais necessariamente refletem a situação verdadeira.
Exemplos: Eu sinto que meu marido não gosta de mim. Eu sinto que os colegas estão rindo de mim. Sinto-me desesperado, portanto a situação é desesperadora.

3. POLARIZAÇÃO (pensamentos tudo ou nada): Ver a situação em duas categorias apenas, mutuamente exclusivas, em vez de num continuum.
Exemplos: Deu tudo errado na festa. Devo tirar a nota máxima ou serei um fracassado. Ou algo é perfeito, ou não vale a pena. Todos me rejeitam. Tudo foi uma grande perda de tempo.

4. ABSTRAÇÃO SELETIVA (visão em túnel, filtro mental, filtro negativo): Um aspecto de uma situação complexa é o foco da atenção, enquanto outros aspectos relevantes da situação são ignorados. Uma parte negativa (ou mesmo neutra) de toda uma situação é realçada, enquanto todo o resto positivo não é percebido.
Exemplos: Veja, todas essas pessoas não gostam de mim. A avaliação do meu chefe foi ruim (focando apenas um único comentário e negligenciando todos os positivos).

5. ADIVINHAÇÃO: Prever o futuro. Antecipar problemas que talvez não venham a existir. Expectativas negativas estabelecidas como fatos.
Exemplos: Não irei gostar dessa viagem. Ele não aprovará minha decisão. Dará tudo errado.

6. LEITURA MENTAL: Presumir, sem evidências, que sabe o que os outros estão pensando, desconsiderando outras hipóteses possíveis.
Exemplos: Ele não está gostando da minha conversa. Ele não gostou do meu projeto. Ele está me achando inoportuno.

7. ROTULAÇÃO: Colocar um rótulo global, rígido em si mesmo, numa pessoa ou situação, em vez de rotular ou o comportamento específico ou a situação.
Exemplos: Sou incompetente. Ele é uma pessoa má. Ela é burra.

8. DESQUALIFICAÇÃO DO POSITIVO: Experiências positivas e qualidades que conflituam com uma visão negativa são desvalorizadas porque “não contam” ou são triviais.
Exemplos: O sucesso obtido naquela tarefa não importa, porque foi muito fácil. Eles só estão elogiando meu trabalho porque estão com pena.

9. MINIMIZAÇÃO E MAXIMIZAÇÃO: Características e experiências positivas em si mesmo, no outro ou nas situações são minimizadas, enquanto o negativo é maximizado.
Exemplos: Eu tenho um ótimo emprego, mas todo mundo tem. Obter notas boas não quer dizer que sou inteligente, os outros obtem melhores notas do que as minhas.

10. PERSONALIZAÇÃO: Assumir a culpa ou responsabilidade por acontecimentos negativos, falhando em ver que outras pessoas e fatores também estão envolvidos nos acontecimentos.
Exemplos: O chefe estava com a cara amarrada, devo ter feito algo errado. É tudo culpa minha. Não consegui manter meu casamento, ele terminou por minha causa.

11. HIPERGENERALIZAÇÃO: Perceber num evento específico um padrão universal. Uma característica específica numa situação específica é avaliada como acontecendo em todas as situações.
Exemplos: Eu sempre estrago tudo. Eu não me dou bem com as pessoas.

12. IMPERATIVOS (“deveria” e “tenho que”): Interpretar eventos em termos de como as coisas deveriam ser, em vez de simplesmente considerar como as coisas são. Afirmações absolutistas na tentativa de prover motivação ou modificar um comportamento. Demandas feitas a si mesmo, aos outros e ao mundo para evitar as conseqüências do não cumprimento dessas demandas.
Exemplos: Eu tenho que ter controle sobre todas as coisas. Eu devo ser perfeito em tudo que faço. Eu não deveria ficar incomodado com isso.

13. VITIMIZAÇÃO: Considerar-se injustiçado ou não entendido. A fonte dos sentimentos negativos é algo ou alguém, havendo recusa ou dificuldade de se responsabilizar pelos próprios sentimentos ou comportamentos.
Exemplos: Meu marido não entende meus sentimentos. Faço tudo pelos meus filhos e eles não agradecem.

14. QUESTIONALIZAÇÃO (e se?): Focar o evento naquilo que poderia ter sido e não foi. Culpar-se pelas escolhas do passado e questionar-se por escolhas futuras.
Exemplos: Se eu tivesse aceitado o outro emprego, estaria melhora agora. E se o novo emprego não der certo? Se eu não tivesse viajado, isso não teria acontecido.

A medida que o paciente começa a identificar e nomear distorções cognitivas, inicia-se um trabalho no desenvolvimento de respostas alternativas para contrapor o impacto negativo dessas interpretações disfuncionais (Knapp, 2004).

Surge, assim uma pergunta:

O pensamento positivo seria a solução?

Não. Padesky, em “A mente vencendo o humor” (1999) esclarece a questão, vejamos:

Embora nossos pensamentos influenciem nosso humor, comportamentos e reações físicas, o pensamento positivo puro e simples não é a solução. A maioria das pessoas ansiosas, deprimidas ou irritadas diz que “ter apenas pensamentos positivos” não é tão simples assim. De fato, se realmente tentarmos ter somente pensamentos positivos quando experimentamos um estado de humor forte, podemos não perceber sinais importante de que algo está errado.

A terapia cognitiva sugere, ao contrário, que a pessoa considere o maior número de ângulos possível de um determinado problema. Olhar a situação de muitos pontos de vista diferentes (positivos, negativos e neutros) pode levar a pessoa a novas conclusões e soluções.

Suponhamos que uma pessoa, que chamaremos de Marisa, perdeu o emprego. Se Marisa acreditar que foi despedida por ser estúpida e por ter cometido erros demais e se concentrar somente nessas idéias, provavelmente ficará deprimida e se convencerá de que não poderá ter sucesso em nenhum outro emprego. Sua vida profissional está terminada, é fim de linha.

Entretanto, se além de repassar seus erros, Marisa pensasse sobre suas qualidades profissionais poderia se concentrar mais objetivamente em seus pontos fortes e nas habilidades profissionais que precisam ser melhoradas, enquanto procura um novo emprego. Talvez, a perda do emprego não fosse inteiramente, nem mesmo em parte, sua culpa. Talvez, tivesse sido despedida devido a problemas econômicos da empresa ou devido a uma discriminação no trabalho.

Assim, percebemos que a interpretação que damos aos eventos, os pensamentos e crenças que construímos são os responsáveis por nossos estados de humor e , consequentemente, por nosso comportamento.

Fica claro que a terapia cognitiva não é um processo para estimular o pensamento positivo. Ao contrário, ela demonstra o poder do pensamento realista, isto é, na extensão em que se pode conhecer a realidade (Leahy, 2006).

O mesmo autor continua elucidando que o sistema de conhecimento sobre o qual a terapia cognitiva se baseia é aberto. Novos fatos e evidências podem surgir. Portanto, o terapeuta cognitivo apresenta ao paciente uma visão pragmática do conhecimento – em essência, formulando a pergunta central: “como esse pensamento vai afetá-lo?”. Ou: “que conseqüências você vai vivenciar ao acreditar que precisa da aprovação de todos?”. O objetivo é fazer com que o paciente perceba que sentir desaprovação, por exemplo, não resulta em nenhuma mudança na sua vida real. O intuito é testar, de forma pragmática, o terror evocado pela crença.

Referências:

BECK, Aaron T. “Terapia cognitiva da depressão”. Porto Alegre: Artmed, 1997.

GREENBERGER, Dennis & PADESKY, Christine. “A mente vencendo o humor”. Porto Alegre: Artmed, 1999.

KNAPP, Paulo. Terapia cognitivo-comportamental na prática psiquiátrica”. Porto Alegre: Artmed, 2004.

LEAHY, Robert L. “Técnicas de terapia cognitiva: manual do terapeuta”. Porto Alegre: Artmed, 2006.

WRIGHT, Jesse H. & outros. “Aprendendo a terapia cognitivo-comportamental: um guia ilustrado”. Porto Alegre: Artmed, 2008.

KARINA ALECRIM BESSA

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Valores Superiores

Esta semana li e me deliciei com o livro “Adolescentes: quem ama educa!”, de Içami Tiba. O livro é simplesmente fantástico, seja para quem tem adolescentes em casa, para quem trabalha com educação, comportamento humano ou simplesmente para quem deseja entender um pouco melhor esse turbilhão que se chama adolescência e não cometer gafes como, por exemplo, rotular os adolescentes de aborrecentes.

O livro aborda vários temas, como as etapas do desenvolvimento; adolescência precoce (tweens) e tardia (geração carona); sexo, drogas e música eletrônica; pais que não tem tempo; dentre tantos outros.

Vários temas chamam a atenção, mantém o leitor atento e reflexivo. Entretanto, um em especial me pareceu muito pertinente ao momento atual, onde a sociedade vive uma inversão total de valores, mergulhada em fundas águas de futilidade. Trata-se do tema:

Valores Superiores.

Tiba inicia colocando que há momentos em que as pernas dobram, falham os mundos interno e relacional, o chão falta, a noção do tempo se esvai, mas a pessoa não tomba e sobrevive porque seu equilíbrio é mantido como se estivesse pendurado por um fio invisível no seu mundo acima, nos seus valores superiores.

O autor continua elucidando que para as religiões, o valor superior é Deus. Para os ateus, o valor máximo é o amor, uma forma de religiosidade. A partir desse momento, inicia o elenco dos valores superiores imprescindíveis à humanidade, conforme abaixo:

Amor: o amor é um terceiro elemento que se forma a partir do encontro de duas pessoas. Ele não está pronto antes do contato das pessoas. É por isso que cada amor tem sua história própria, tem sua identidade. No verdadeiro amor, o vínculo desenvolvido entre as pessoas é maior que as próprias pessoas. Em nome do amor, um não trai o outro, mesmo na sua ausência. O amor também explica porque um homem, há dois milênios, aceitou ser crucificado para salvar a humanidade. Seu corpo morreu, mas sua presença continua viva até hoje entre os cristãos. O amor de mãe para com seus filhos demonstra o quanto para a mãe o filho é importante, até mais importante que sua própria existência. O amor existe em todas as formas de relacionamentos humanos progressivos.

Gratidão: Sensação de bem-estar por reconhecer um benefício recebido. É uma sensação prazerosa que pode ser transformada em sentimento que dificilmente se esquece. Para reconhecer, é preciso primeiro identificar. Muitas crianças não são gratas aos seus pais, pois nem identificam o benefício recebido. Para que elas sejam gratas, é importante que os pais ensinem as crianças a identificar o que outras pessoas fazem por e para elas, e como foi gostoso receber. É de boa educação que se agradeça o que se recebe. Agradeça em voz alta, clara e para fora, olhando no fundo dos olhos da outra pessoa. Assim, a gratidão passa a ter um significado de retribuição do bom sentimento que a pessoa teve quando fez ou trouxe o benefício para ela. O princípio fundamental é que não se maltrata a quem sentimos gratidão. Portanto, a gratidão gera bons sentimentos. Temos que ensinar as crianças a serem gratas e a manifestarem a sua gratidão.

Cidadania: Pode-se aprender em casa desde pequeno, cuidando do brinquedo e guardando-o de volta depois que acabar de brincar. É a cidadania familiar. Quem não cuida do que tem pode perdê-lo. Quem cuida, aprende o sentido de propriedade, de respeito a ela, de preservar e melhorar o ambiente ocupado, de cuidar da casa, da escla, da sociedade, para sair do local e pessoas (mundo) deixando-os melhores do que quando chegou.

Entrou, acendeu a luz, usou o banheiro? Aperte a descarga, lave as mãos, limpe a pia e apague a luz antes de sair. É o mínimo que se espera que um cidadão faça. Não é preciso que haja alguém olhando. Faça assim por ser esse um valor internalizado seu, de cuidar da sua sociedade e de gratidão ao próximo.

Religiosidade: Gente gosta de gente. É a força gregária que nos faz procurar uns aos outros. É o amor horizontal, num mesmo nível. Um recém-nascido já nasce identificando rostos humanos como se fosse algo atávico, quase genético. A religiosidade é a força de união entre as pessoas, uma sensação que precede o conhecimento da pessoa. Só de ver uma pessoa, antes mesmo de conhecê-la, já estabelecemos com ela um contato diferente d que estabelecemos com o resto dos seres vivos neste mundo. Aos 3 meses de idade, o bebê identifica qualquer ser humano e sorri para ele, não importa se parente, amigo ou inimigo.

A religião é uma criação humana. Pessoas ligadas entre si, com crenças em comum, estabeleceram e organizaram códigos de ética e valores, hierarquias, rituais e locais cerimoniais com padrões morais próprios e fundaram uma religião, espiritualizando a religiosidade. É uma relação vertical entre a divindade e o ser humano. Assim, a religiosidade precede a religião. É interessante observarmos que pessoas de diferentes religiões podem se ligar pela religiosidade, justificando casamentos e uniões entre pessoas cujas respectivas religiões são até antagônicas.

Disciplina: Entendida não como o ranço do autoritarismo, mas como qualidade de vida, a disciplina é um valor que tem que ser aprendido, desenvolvido e praticado para uma boa convivência social. Faz parte dela o princípio de que tudo tem começo, meio e fim. Assim, deve-se terminar o que se começa. Não se deve tomar nada de ninguém, porque cada um deve preparar o que quer e não se apossar do que o outro preparou. Bancar o espertinho e furar filas, atrapalhando a vida de quem quer que seja, não é ato de cidadão. Portanto, disciplina faz parte da cidadania.

Tudo tem o tempo certo para ser feito. Não se fazem grandes plantações nem se planta uma flor em tempo não adequado, como também não se colhem os frutos nem a flor quando se deseja, mas quando eles estão prontos. Para chegar à colheita, houve o seu tempo necessário. Assim também deveríamos respeitar e cumprir o tempo necessário até nos pequenos atos de cada dia. Não se toma uma condução na hora que simplesmente deu vontade, mas sim quando há veículos (avião, ônibus, caros, navios, etc.). Não se corre atrás da saúde somente quando maias se precisa dela, isto é, quando se está doente.

Não se ganham competições sem preparo, tampouco se fazem campeões sem competência. A maior liberdade do ser humano é a liberdade de escolha, mas sua maior qualidade é a disciplina para realizar as escolhas.

Solidariedade: É a capacidade que os seres humanos tem para compartilhar entre si alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, responsabilidades, necessidades, etc. Quando bandos de gnus africanos migram em busca de água e pastagem, eles estão cumprindo um comportamento predeterminado pela genética. A força da migração é muito maior que a da solidariedade, pois enquanto uns morrem, outros vão seguindo seu destino imutável. Quando um ser humano morre, o luto é um rito de solidariedade voluntária, quando todos dividem o sentimento de perda de uma pessoa querida. Os sentimentos de querer dividir as glórias conquistadas, são bases voluntárias da solidariedade, que fortalecem a cidadania.

Compartilhamos as dores, fortalecemos os vínculos. Solidariedade e amor são entidades que quanto mais são divididas, mais elas aumentam, num milagre matemático da vida.

Ética: Se desde criança os pais ensinam ativamente a prática da ética, esta passa a fazer parte do quadro de valores dela. O que for bom para uma pessoa tem que ser bom para todas as pessoas. Se uma criança fizer algo que constranja os pais, por mais inocente que seja, ela não está sendo ética. Os pais não deveriam “engolir sapos”, mas educá-la dizendo que “não se faz o que não é ético”, explicando-lhe que ninguém deve sofrer pelo que ela faz. A ética deveria ser como oxigênio do nosso comportamento, para a saúde integral da nossa vida: essencial, porém quase invisível. A ética é discreta por princípio. Hitler era inteligente, competente, empreendedor, líder público, mas não tinha ética.

Façamos a nossa parte, vivenciando diariamente esses valores e transmitindo pelo exemplo toda essa riqueza aos nossos filhos.

KARINA ALECRIM BESSA

sábado, 29 de janeiro de 2011

1º Sorteio Mundo Psi

Amigos,

As inscrições para  o sorteio já estão abertas!

O prêmio será o livro "A Arte da Meditação" de Daniel Goleman. O livro acompanha um CD.


Para participar, basta ser seguidor do blog, ter um endereço no Brasil (para a entrega do prêmio) e realizar a inscrição, fornecendo nome e email.

Para realizar sua inscrição, acesse o link abaixo (google.docs) e após inserir seu nome e email, clique em "enviar":

Para se inscrever no sorteio clique aqui

O sorteio será realizado pelo random.org no dia 26 de fevereiro de 2011.

Por favor, participem e divulguem!

Bjs e um ótimo final de semana!

Karina.

Sorteio do livro "A Arte da Meditação", de Daniel Goleman (acompanha um CD).

Amigos, queridos,

Nosso blog atingiu o número de 100 seguidores e, conforme combinado, vamos fazer o sorteio do livro A Arte da Meditação, de Daniel Goleman. O livro acompanha um CD, assim o vencedor terá a chance de meditar também ouvindo o CD.

Apenas para lembrar, sou aprendiz no assunto Blog, por isso peço a paciência de vocês. Estou aprendendo como realizar um sorteio e amanhã já estarei postando as regras e tudo o mais.

Bjs a todos e até mais tarde, quando divulgarei as regras do sorteio.

Karina.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ANSIEDADE NOSSA DE CADA DIA...

 Postagem 3

“Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.”
Dalai Lama.

Lourdes Possatto, autora do livro “Ansiedade Sob Controle” coloca que uma forma eficaz de controlar a ansiedade é desenvolver um processo de centralidade, ou seja, focar-se no aqui e agora.

A autora nos apresenta várias dicas de centralidade, uma delas é o “Método Rápido de Centralidade”, que pode ser utilizado em qualquer momento, sempre que você sentir que está muito ansioso ou simplesmente para alcançar um grau maior de bem estar. Vejamos:

Método Rápido de Centralidade:

Feche os olhos, se for possível;

Concentre-se na sua respiração;

Faça duas respirações abdominais profundas (inspirando pelo nariz e expirando pela boca);

Continue inspirando pelo nariz e expirando pela boca;

Diga mentalmente: Eu estou aqui e agora dentro do meu corpo (sinta seu corpo, olhando-o com os olhos da mente);

Diga mentalmente: Estou aqui e agora, dentro da minha pele (tome consciência da sua pele);

Diga mentalmente: Agora, tomo consciência de minha cabeça, pescoço, costas, braços e mãos, peito, abdômen, pernas e pés (a cada parte a que você vai se referindo mentalmente, sinta-a com os olhos da mente).

Diga mentalmente: Estou aqui e agora dentro do meu corpo, inspirando e expirando naturalmente, tranquilamente, serenamente... estou aqui e agora com minhas energias e sinto-me bem... estou em paz...

Abra os olhos e localize-se no aqui e agora.

Caso não seja possível fechar os olhos, apenas fique parado em algum lugar e observe seu corpo, prestando atenção à sua respiração e diga mentalmente o que foi descrito acima. Treine todos os dias, duas ou três vezes ao dia e em situações estressantes faça uso da técnica. Dois ou três minutos bastam. Você perceberá uma calma e leveza maior após esse treino.

Muito bem, o que você está esperando? Vamos relaxar? 

Fonte:
POSSATTO, Lourdes. Ansiedade sob controle. São Paulo: Lúmen, 2006.


KARINA ALECRIM BESSA

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A lição do rio.


French Broad River - North Carolina - USA

Não apresse o rio, ele corre sozinho.

O rio corre sozinho, vai seguindo seu caminho.

Não necessita ser empurrado.

Pára um pouquinho no remanso.

Apressa-se nas cachoeiras.

Desliza de mansinho nas baixadas.

Precipita-se nas cascatas.

Mas, no meio de tudo isso vai seguindo seu caminho.

Sabe que há um ponto de chegada.

Sabe que seu destino é para a frente.

O rio não sabe recuar.

Seu caminho é seguir em frente.

É vitorioso, abraçando outros rios, vai chegando no mar.

O mar é sua realização.

É chegar ao ponto final.

É ter feito a caminhada.

É ter realizado totalmente seu destino.

A vida da gente deve ser levada do jeito do rio.

Deixar que corra como deve correr.

Sem apressar e sem represar.

Sem ter medo da calmaria e sem evitar as cachoeiras.

Correr do jeito do rio, na liberdade do leito da vida, sabendo que há um ponto de chegada.

A vida é como o rio.

Por que apressar?

Por que correr se não há necessidade?

Por que empurrar a vida?

Por que chegar antes de se partir?

Toda natureza não tem pressa.

Vai seguindo seu caminho.

Assim também é a árvore, assim são os animais.

Tudo o que é apressado perde o gosto e o sentido.

A fruta forçada a amadurecer antes do tempo perde o gosto.

Tudo tem seu ritmo.

Tudo tem seu tempo.

E então, por que apressar a vida da gente?

Desejo ser um rio.

Livre dos empurrões dos outros e dos meus próprios.

Livre da poluição alheia e das minhas.

Rio original, limpo e livre.

Rio que escolheu seu próprio caminho.

Rio que sabe que tem um ponto de chegada.

Sabe que o tempo não interessa.

Não interessa ter nascido a mil ou a um quilômetro do mar.

Importante é chegar ao mar.

Importante é dizer "cheguei".

E porque cheguei, estou realizado.

A gente deveria dizer: não apresse o rio, ele anda sozinho.

Assim deve-se dizer a si mesmo e aos outros: não apresse a vida, ela anda sozinha.

Deixe-a seguir seu caminho normal.

Interessa saber que há um ponto de chegada e saber que se vai chegar lá.

É bom viver do jeito do rio!

(Autor desconhecido)


KARINA ALECRIM BESSA

domingo, 23 de janeiro de 2011

Estou num universo chamado "Blogosfera"


Queridos amigos,

Hoje criei uma página de selos.

Quando iniciei este blog não tinha a menor noção de como era esse universo chamado Blogosfera.

A ideia inicial era criar uma página didática, onde o público leigo pudesse encontrar informações acessíveis sobre temas da Psicologia Clínica. Entretanto, aos poucos fui percebendo que ser autora de um blog não é apenas escrever e postar artigos. É muito mais! É fazer parte de um universo chamado Blogosfera. Aqui há interação, amizade e carinho.

Uma das formas de demonstrar carinho e apreço por aqui é oferecer "selinhos" aos amigos. Verdadeiros mimos, em diversos estilos, mas sempre fiéis às características de quem presenteia e de quem é presenteado.

Como carinho é algo maravilhoso, estou criando esta página para expor todos os selinhos que me forem presenteados.

O meu Muito Obrigada (!!!) a todos os queridos amigos que me fizeram sorrir com um desses lindos selinhos:



Os dois selinhos acima foram os primeiros que ganhei da amiga Teresa, do blog Acolher com Amor.
Obrigada, Teresa!

Este selinho ganhei da amiga Lívia, do blog Inquietude do Pensamento.
Obrigada, Lívia!

Uma ótima semana a todos!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Recebi meus primeiros selinhos ontem! Vou passar o carinho adiante! :)

Ontem recebi esses dois selinhos da Teresa, do blog "Acolher com  Amor". Fiquei muito feliz, pois foram os primeiros!




Receber carinho é maravilhoso, mas dar é melhor ainda. Por isso, vou retribuir presenteando 10 dos blogs que sigo com o selo abaixo:


Encontrei este selo na net e achei lindo!

Os blogs presenteados são:

Acolher com Amor

Brisa da Primavera

Momentos Únicos

Blog da Marli

Inquietude de Pensamento

Achados de Moda

Jardim dos Girassóis

A vida de uma Guerreira

A Vida é um Sopro

Entre Aspas

Bjs!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Hoje o "Acolher com Amor" faz um ano!

Este post é uma homenagem ao blog "Acolher com Amor" e faz parte da blogagem coletiva em comemoração ao seu aniversário.

                           Para "Acolher com Amor" é preciso amar, por isso decidi postar uma oração, extraída do livro Ágape, do Padre Marcelo Rossi:


Oração

Senhor, Deus do Amor, ensina-me a amar.

Mesmo que meus olhos se fechem,

Ensina-me a amar.

Mesmo que meus ouvidos se ensurdeçam,

Ensina-me a amar.

Mesmo que minha boca silencie,

Ensina-me a amar.

Mesmo que meus braços e pernas se cansem,

Ensina-me a amar.

Mesmo que o mundo me apresente outros valores,

Ensina-me a amar.

Mesmo que os meus irmãos me traiam,

Ensina-me a amar.

Mesmo que a esperança se vá,

Ensina-me a amar.

Mesmo nos momentos sem fé,

Ensina-me a amar.

Eu quero amar, Senhor.

Primeiro a Vós e depois aos meus irmãos.

Quero amar a mim mesmo, sem egoísmos, mas como templo do Vosso Santo Espírito.

Amém.

Que possamos todos aprender a amar para transformar o ato de acolher em ato de puro amor!
 
Parabéns Teresa!!!!

domingo, 9 de janeiro de 2011

ANSIEDADE NOSSA DE CADA DIA...

Postagem 2
Em 1º de dezembro de 2010 publicamos o primeiro artigo da coluna “Ansiedade Nossa de Cada Dia...”, com uma proposta de publicação periódica de técnicas para lidar melhor com a ansiedade.

Para aqueles que desejarem obter maiores esclarecimentos sobre o tema “Ansiedade”, sugerimos a leitura do artigo inaugural deste blog, publicado em 30 de julho de 2010.

Na postagem 1 de “Ansiedade Nossa de Cada Dia...” ensinamos a técnica da respiração diafragmática. Hoje, a técnica que iremos apresentar para combater a ansiedade é de origem milenar. Estamos falando da arte da meditação.

Daniel Goleman, um PhD em Psicologia, que foi articulista do The New York Times, editor da revista Psychology Today e escreveu vários livros de sucesso, como “Inteligência Emocional” e “A Arte da Meditação”, realizou pesquisas científicas que comprovam a eficácia da meditação no alívio da ansiedade.

No livro “A Arte da Meditação”, Goleman relata os benefícios da meditação e ensina várias técnicas para meditar.

Goleman inicia narrando que na década de 1970 esteve na Índia, onde conheceu vários iogues hindus, lamas tibetanos e monges budistas e ficou impressionado com a cordialidade descontraída, o desapego e a vivacidade desses homens e mulheres nas mais diferentes situações.

Ao retornar à Harvard, onde era professor, Goleman descobriu que um colega (Gary Schwartz) havia começado a pesquisar os efeitos benéficos da meditação sobre a saúde. Goleman, decidiu realizar uma pesquisa científica sobre a relação entre a meditação e o estresse e teve Gary Schwartz como seu orientador.

As descobertas de Goleman foram bastante positivas, pois a meditação proporciona ao corpo repouso, enquanto mantém a mente alerta. Isso faz baixar a pressão sanguínea e diminuir o ritmo do coração, ajudando o corpo a se recuperar do estado de estresse ou ansiedade.

No livro “A Arte da Meditação”, Goleman nos apresenta quatro técnicas diferentes de meditação. Todas eficazes no combate aos sintomas de ansiedade. No post de hoje, vamos apresentar a primeira delas. As demais serão apresentadas em posts posteriores deste periódico (Ansiedade Nossa de Cada Dia...). Vejamos:

Meditar Respirando
Para fazer esta primeira meditação, procure uma posição confortável, mas não confortável demais, para não correr o risco de adormecer. Desaperte o cinto e use roupas folgadas. Não é preciso sentar-se numa posição de ioga para meditar: basta uma cadeira de espaldar reto e firme, ou qualquer lugar em que você possa sentar-se confortavelmente com as costas apoiadas.

Sente-se numa posição ereta, mas relaxada. Mantenha a cabeça, o pescoço e a coluna vertebral alinhados, como se um grande balão de gás estivesse puxando sua cabeça para o alto. Manter a cabeça ereta ajuda a mente a permanecer alerta, o que é uma condição essencial na meditação.

Feche os olhos e mantenha-os fechados até o final da meditação... Muito bem, vamos começar...

Comece prestando atenção na sua respiração, no fluxo natural do ar que entra e sai por suas narinas, ou no seu ventre que sobe quando você inspira e desce quando expira.

Observe todas as sensações ligadas à sua respiração... o movimento do ar... o calor... tudo o que você sentir...

Não procure controlar a respiração... respire naturalmente prestando atenção ao ar que entra e sai...

Se a respiração estiver superficial, deixe-a ficar assim. Se ela for mais rápida ou mais lenta, deixe-a ficar do jeito que está... a própria respiração se regula...

Enquanto medita, você só precisa prestar atenção na respiração... quando você perceber que sua mente dispersou, traga-a suavemente de volta para a respiração. Durante essa meditação, os pensamentos, os planos, as lembranças, os sons, as sensações, tudo o que for diferente da sua respiração será considerado uma distração. Livre-se desses pensamentos. Tudo o que vier à sua mente desviando a atenção da respiração é, a partir de agora, uma distração.

Não se preocupe nem se culpe se sua mente se distrair com outros pensamentos... isso é natural. Cada vez que isso acontecer, basta trazer suavemente o foco da atenção para sua respiração...

Tente prestar atenção em cada respiração durante todo o tempo que ela durar: toda a inspiração, toda a expiração...

Para ajudar sua mente a se concentrar na respiração, repita em silêncio uma palavra para cada inspiração e para cada expiração: se você se concentrar no ar que entra e sai das narinas diga em sua mente “dentro” para a inspiração e “fora” para a expiração. Se a concentração estiver no movimento de seu ventre, diga em silêncio “subindo” para a inspiração e “descendo” para a expiração.

Faça com que essas palavras sejam como uma suave música de fundo em sua mente... um murmúrio bem leve... Preste atenção no que você sente ao respirar, e não apenas na mera repetição das palavras.

Tome consciência de cada inspiração e de cada expiração...

Quando sua mente for ocupada por outros pensamentos, traga-a suavemente de volta para a sua respiração...

Deixe a respiração seguir seu ritmo natural... Se ela for superficial ou profunda, lenta ou rápida, não interfira em seu ritmo... basta prestar atenção nela...

Observe toda a inspiração... toda a expiração... dentro... fora... subindo... descendo...

Mantenha sua atenção em alerta...

Dentro... fora... subindo... descendo...

Observe cada respiração... toda a respiração...

Cada vez que sua mente se afastar da respiração, traga-a suavemente de volta...

Agora, pare um pouco... observe seu corpo... veja como ele se sente... como você se sente...

Quando quiser, abra os olhos...


FONTES:

"A Arte da Meditação" de Daniel Goleman.
www.danielgoleman.info




***Atenção: Quando este blog atingir o número de 100 seguidores faremos um sorteio comemorativo, onde o prêmio será o livro “A Arte da Meditação”, de Daniel Goleman. O livro acompanha um CD, assim o vencedor terá a chance de meditar também ouvindo o CD.




KARINA ALECRIM BESSA

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A mais bela de todas as coisas!

Por Madre Teresa de Calcutá


O dia mais belo: hoje.

A coisa mais fácil: errar.

O maior obstáculo: o medo.

O maior erro: o abandono.

A raiz de todos os males: o egoísmo.

A distração mais bela: o trabalho.

A pior derrota: o desânimo.

Os melhores professores: as crianças.

A primeira necessidade: comunicar-se.

O que traz felicidade: ser útil aos demais.

O pior defeito: o mau humor.

A pessoa mais perigosa: a mentirosa.

O pior sentimento: o rancor.

O presente mais belo: o perdão.

O mais imprescindível: o lar.

A rota mais rápida: o caminho certo.

A sensação mais agradável: a paz interior.

A maior proteção efetiva: o sorriso.

O maior remédio: o otimismo.

A maior satisfação: o dever cumprido.

A força mais potente do mundo: a fé.

As pessoas mais necessárias: os pais.

A mais bela de todas as coisas: O AMOR.


KARINA ALECRIM BESSA

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Como prevenir transtornos alimentares


Atualmente, segundo especialistas, os Transtornos Alimentares assombram as sociedades industrializadas como verdadeira epidemia.

Para se aprofundar um pouco mais no assunto, leia nosso post de 2 de agosto de 2010, intitulado “Transtornos Alimentares”.

Hoje vamos falar de prevenção. O que fazer para prevenir a incidência de transtornos alimentares?

A National Eating Disorders Association, uma associação norte americana, nos oferece uma lista de itens para a prevenção, vejamos:

1. Aprenda tudo que você puder sobre transtornos alimentares: anorexia, bulimia, transtorno da compulsão alimentar periódica (binge eating);

2. Desconsidere a idéia de que um determinado peso, tipo corporal ou dieta transformará sua vida e fará você automaticamente feliz;

3. Diga não (!) a crença de que um corpo perfeito é um corpo magro e que estar acima do peso é sinônimo de preguiça, desvalorização ou até imoral;

4. Evite categorizar comidas como “permitidas” versus “proibidas”. Todos precisamos comer de forma balanceada e saudável, o que exige uma dieta variada;

5. Decida não julgar os outros ou você com base no peso corporal ou na forma do corpo;

6. Desenvolva uma visão crítica da mídia e da mensagem de auto-estima e imagem corporal que ela passa;

7. Almeje ser modelo de uma imagem corporal saudável e não da atual ditadura da beleza que prega a magreza extrema a qualquer custo.



KARINA ALECRIM BESSA

domingo, 2 de janeiro de 2011

A complicada arte de ver. Por Rubem Alves.

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

Fonte:
Projeto Releituras