Páginas

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Valores Superiores

Esta semana li e me deliciei com o livro “Adolescentes: quem ama educa!”, de Içami Tiba. O livro é simplesmente fantástico, seja para quem tem adolescentes em casa, para quem trabalha com educação, comportamento humano ou simplesmente para quem deseja entender um pouco melhor esse turbilhão que se chama adolescência e não cometer gafes como, por exemplo, rotular os adolescentes de aborrecentes.

O livro aborda vários temas, como as etapas do desenvolvimento; adolescência precoce (tweens) e tardia (geração carona); sexo, drogas e música eletrônica; pais que não tem tempo; dentre tantos outros.

Vários temas chamam a atenção, mantém o leitor atento e reflexivo. Entretanto, um em especial me pareceu muito pertinente ao momento atual, onde a sociedade vive uma inversão total de valores, mergulhada em fundas águas de futilidade. Trata-se do tema:

Valores Superiores.

Tiba inicia colocando que há momentos em que as pernas dobram, falham os mundos interno e relacional, o chão falta, a noção do tempo se esvai, mas a pessoa não tomba e sobrevive porque seu equilíbrio é mantido como se estivesse pendurado por um fio invisível no seu mundo acima, nos seus valores superiores.

O autor continua elucidando que para as religiões, o valor superior é Deus. Para os ateus, o valor máximo é o amor, uma forma de religiosidade. A partir desse momento, inicia o elenco dos valores superiores imprescindíveis à humanidade, conforme abaixo:

Amor: o amor é um terceiro elemento que se forma a partir do encontro de duas pessoas. Ele não está pronto antes do contato das pessoas. É por isso que cada amor tem sua história própria, tem sua identidade. No verdadeiro amor, o vínculo desenvolvido entre as pessoas é maior que as próprias pessoas. Em nome do amor, um não trai o outro, mesmo na sua ausência. O amor também explica porque um homem, há dois milênios, aceitou ser crucificado para salvar a humanidade. Seu corpo morreu, mas sua presença continua viva até hoje entre os cristãos. O amor de mãe para com seus filhos demonstra o quanto para a mãe o filho é importante, até mais importante que sua própria existência. O amor existe em todas as formas de relacionamentos humanos progressivos.

Gratidão: Sensação de bem-estar por reconhecer um benefício recebido. É uma sensação prazerosa que pode ser transformada em sentimento que dificilmente se esquece. Para reconhecer, é preciso primeiro identificar. Muitas crianças não são gratas aos seus pais, pois nem identificam o benefício recebido. Para que elas sejam gratas, é importante que os pais ensinem as crianças a identificar o que outras pessoas fazem por e para elas, e como foi gostoso receber. É de boa educação que se agradeça o que se recebe. Agradeça em voz alta, clara e para fora, olhando no fundo dos olhos da outra pessoa. Assim, a gratidão passa a ter um significado de retribuição do bom sentimento que a pessoa teve quando fez ou trouxe o benefício para ela. O princípio fundamental é que não se maltrata a quem sentimos gratidão. Portanto, a gratidão gera bons sentimentos. Temos que ensinar as crianças a serem gratas e a manifestarem a sua gratidão.

Cidadania: Pode-se aprender em casa desde pequeno, cuidando do brinquedo e guardando-o de volta depois que acabar de brincar. É a cidadania familiar. Quem não cuida do que tem pode perdê-lo. Quem cuida, aprende o sentido de propriedade, de respeito a ela, de preservar e melhorar o ambiente ocupado, de cuidar da casa, da escla, da sociedade, para sair do local e pessoas (mundo) deixando-os melhores do que quando chegou.

Entrou, acendeu a luz, usou o banheiro? Aperte a descarga, lave as mãos, limpe a pia e apague a luz antes de sair. É o mínimo que se espera que um cidadão faça. Não é preciso que haja alguém olhando. Faça assim por ser esse um valor internalizado seu, de cuidar da sua sociedade e de gratidão ao próximo.

Religiosidade: Gente gosta de gente. É a força gregária que nos faz procurar uns aos outros. É o amor horizontal, num mesmo nível. Um recém-nascido já nasce identificando rostos humanos como se fosse algo atávico, quase genético. A religiosidade é a força de união entre as pessoas, uma sensação que precede o conhecimento da pessoa. Só de ver uma pessoa, antes mesmo de conhecê-la, já estabelecemos com ela um contato diferente d que estabelecemos com o resto dos seres vivos neste mundo. Aos 3 meses de idade, o bebê identifica qualquer ser humano e sorri para ele, não importa se parente, amigo ou inimigo.

A religião é uma criação humana. Pessoas ligadas entre si, com crenças em comum, estabeleceram e organizaram códigos de ética e valores, hierarquias, rituais e locais cerimoniais com padrões morais próprios e fundaram uma religião, espiritualizando a religiosidade. É uma relação vertical entre a divindade e o ser humano. Assim, a religiosidade precede a religião. É interessante observarmos que pessoas de diferentes religiões podem se ligar pela religiosidade, justificando casamentos e uniões entre pessoas cujas respectivas religiões são até antagônicas.

Disciplina: Entendida não como o ranço do autoritarismo, mas como qualidade de vida, a disciplina é um valor que tem que ser aprendido, desenvolvido e praticado para uma boa convivência social. Faz parte dela o princípio de que tudo tem começo, meio e fim. Assim, deve-se terminar o que se começa. Não se deve tomar nada de ninguém, porque cada um deve preparar o que quer e não se apossar do que o outro preparou. Bancar o espertinho e furar filas, atrapalhando a vida de quem quer que seja, não é ato de cidadão. Portanto, disciplina faz parte da cidadania.

Tudo tem o tempo certo para ser feito. Não se fazem grandes plantações nem se planta uma flor em tempo não adequado, como também não se colhem os frutos nem a flor quando se deseja, mas quando eles estão prontos. Para chegar à colheita, houve o seu tempo necessário. Assim também deveríamos respeitar e cumprir o tempo necessário até nos pequenos atos de cada dia. Não se toma uma condução na hora que simplesmente deu vontade, mas sim quando há veículos (avião, ônibus, caros, navios, etc.). Não se corre atrás da saúde somente quando maias se precisa dela, isto é, quando se está doente.

Não se ganham competições sem preparo, tampouco se fazem campeões sem competência. A maior liberdade do ser humano é a liberdade de escolha, mas sua maior qualidade é a disciplina para realizar as escolhas.

Solidariedade: É a capacidade que os seres humanos tem para compartilhar entre si alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, responsabilidades, necessidades, etc. Quando bandos de gnus africanos migram em busca de água e pastagem, eles estão cumprindo um comportamento predeterminado pela genética. A força da migração é muito maior que a da solidariedade, pois enquanto uns morrem, outros vão seguindo seu destino imutável. Quando um ser humano morre, o luto é um rito de solidariedade voluntária, quando todos dividem o sentimento de perda de uma pessoa querida. Os sentimentos de querer dividir as glórias conquistadas, são bases voluntárias da solidariedade, que fortalecem a cidadania.

Compartilhamos as dores, fortalecemos os vínculos. Solidariedade e amor são entidades que quanto mais são divididas, mais elas aumentam, num milagre matemático da vida.

Ética: Se desde criança os pais ensinam ativamente a prática da ética, esta passa a fazer parte do quadro de valores dela. O que for bom para uma pessoa tem que ser bom para todas as pessoas. Se uma criança fizer algo que constranja os pais, por mais inocente que seja, ela não está sendo ética. Os pais não deveriam “engolir sapos”, mas educá-la dizendo que “não se faz o que não é ético”, explicando-lhe que ninguém deve sofrer pelo que ela faz. A ética deveria ser como oxigênio do nosso comportamento, para a saúde integral da nossa vida: essencial, porém quase invisível. A ética é discreta por princípio. Hitler era inteligente, competente, empreendedor, líder público, mas não tinha ética.

Façamos a nossa parte, vivenciando diariamente esses valores e transmitindo pelo exemplo toda essa riqueza aos nossos filhos.

KARINA ALECRIM BESSA

5 comentários:

Viviane Moraes disse...

Oi Ká,
Gostei muito, vou ler com certeza.
Obrigada pela dica.
Bjs

Nilce disse...

Oi Karina

Nos dias atuais há a necessidade de bons livros como este na ajuda com os adolescentes, pois o tempo mudou e muita gente parou.
Boa sugestão.

Bjs no coração!

Nilce

Viviane Alves disse...

Olá Karina, passei para retribuir sua visitinha lá no meu blog e já estou te seguindo viu!
bjs

Karina Alecrim Bessa disse...

Fico feliz que tenham gostado! :)

Bjs,

Ka.

O Divã Dellas disse...

Içami tem me ajudado um bocado!!!
Rsrsrs
Beijo grande.
Ótimo espaço.
Cinthya