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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

Os dados apresentados pela OMS no que tange ao tema mortes pela via do suicídio são impactantes. Vejamos:

Segundo a OMS (SUPRE – suicide prevention program):

• Todo ano um milhão de pessoas morre pela via do suicídio. Este apresenta uma taxa global de mortalidade de 16 por 100.000 ou uma morte a cada 40 segundos.

• Nos últimos 45 anos as taxas de morte por suicídio aumentaram 60% no mundo inteiro, tornando o suicídio uma das três maiores causas de morte nas idades de 15-44 anos em alguns países e a segunda maior causa de morte nas idades de 10-24 anos. Esses dados não incluem as tentativas de suicídio.

• Tradicionalmente, o suicídio era mais comum entre homens adultos ou idosos. Hoje, entretanto, as taxas de suicídio entre jovens aumentou de maneira tão considerável que este grupo é considerado o de mais alto risco nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

• Distúrbios emocionais (especialmente depressão e abuso de álcool e drogas) são o maior fator de risco ao suicídio na Europa e na América do Norte.

Abaixo,  o mapa apresenta as taxas de suicídio no mundo:

No Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), diariamente uma pessoa a cada hora comete suicídio. Diante do que o suicídio precisa ser considerado como um grave problema de saúde pública, o que levou a ABP a adotar em 2010 o suicídio como foco central em suas ações, lançando em setembro o programa nacional de prevenção ao suicídio.

O laço amarelo é o símbolo da luta pela prevenção ao suicídio. Você também pode aderir a essa campanha. Faça uso das imagens abaixo, divulgue e abrace essa causa.





Direitos autorais reservados.

KARINA ALECRIM BESSA

domingo, 10 de outubro de 2010

Os 10 piores pecados de um psicoterapeuta

Escolher um psicoterapeuta nem sempre é tarefa fácil. Inúmeras são as pessoas que narram ter desistido do processo psicoterápico em virtude da não formação de vínculo, muitas vezes em razão da postura do psicoterapeuta.

John Grohol é um psicólogo americano, criador do portal psych central (eleito um dos melhores pela revista Time), e enumerou os 12 piores pecados de um psicoterapeuta.

Vejamos 10 destes, abaixo:

1. Dormir durante a sessão
Acredite ou não há psicoterapeutas que dormem durante a sessão. É claro que um bocejo pode ocorrer, pois o psicoterapeuta é um ser humano e pode estar cansado em um determinado dia. O problema é quando os bocejos são constantes e se tornam hábito. Dormir na sessão, acredito que dispensa qualquer comentário.

2. Atrasar-se para as consultas
O terapeuta precisa manter sua agenda de forma pontual, em sinal de respeito ao paciente. Chegar ao consultório com trinta, quarenta minutos de atraso, enquanto o paciente aguarda, é inconcebível. É claro que há situações onde um paciente pode precisar permanecer por mais tempo no consultório e isto causará atraso para a sessão subseqüente. Entretanto, esses casos constituem exceção e não regra, posto que as sessões costumam durar 50 minutos, mas o agendamento entre um e outro paciente é feito de hora em hora, ou seja, dando 10 minutos de saldo.

3. Comer na frente do paciente
Comer durante o atendimento psicoterápico deve ser evitado. Nem paciente, nem terapeuta devem estar comendo durante a sessão. Um café, um suco, uma água podem ser consumidos durante a sessão, mas comida não deve fazer parte do setting terapêutico.

4. Tomar notas excessivamente
Tomar notas excessivamente pode prejudicar o processo terapêutico. O paciente pode se distrair, bem como pode ficar incomodado em razão de estar narrando algo tão doloroso e íntimo, enquanto o outro no lugar de ter um comportamento empático e acolhedor apenas anota friamente. Em sendo imprescindível tomar notas, o ideal é que isto se dê de maneira bastante discreta.

5. Não ser acessível por telefone, whatsApp ou e-mail
Um terapeuta que não retorna ligações, WhatsApps ou e-mails de seus pacientes, segundo Grohol, age com inaceitável falta de profissionalismo. Claro que o terapeuta não vai ficar 24 horas ao dia / 7 dias na semana à disposição do paciente, mas é preciso que se lembre que existem emergências em saúde mental e pacientes em iminente risco suicida.

6. Atender ao telefone ou usar o computador durante a sessão
Durante a sessão, terapeuta e paciente devem manter seus celulares desligados ou no silencioso. O terapeuta deve orientar sua secretária a atender e anotar as chamadas urgentes, de pacientes em crise, para que possa dar o retorno necessário.

7. Expressar preferências raciais, sexuais, musicais ou religiosas em excesso
Grohol coloca que um terapeuta que passa uma sessão inteira discutindo temas ligados a preferências raciais, sexuais, religiosas, ou até musicais não está disposto a trabalhar para ajudar o cliente. Além de ser um comportamento anti-ético.

8. Excessivo contato físico
Contato físico entre terapeuta e paciente deve sempre ser algo confortável para ambas as partes. Embora, o Brasil seja um país latino, onde o contato físico é mais comum e aceitável quando se cumprimenta alguém, é preciso ter cuidado para que a relação terapêutica não tome características de relação de amizade e afeto, posto que é, antes de mais nada, uma relação profissional. Grohol frisa que envolvimento sexual jamais é bem vindo ou aceitável numa relação psicoterápica.

9. Inadequação no vestir-se
O psicoterapeuta como todo profissional deve vestir-se de maneira apropriada para o ambiente laboral. É claro que não precisa abrir mão de seu estilo, mas não pode esquecer que estará em um ambiente de trabalho.
 
10. Olhar excessivamente para o relógio
Ninguém gosta de sentir que está sendo chato e quando o paciente percebe que o terapeuta olha continuadamente para o relógio, é assim que se sente. Claro que o terapeuta precisa controlar o horário, mas os terapeutas experientes tem uma noção aproximada do tempo. Nada impede, entretanto, que o terapeuta tenha um relógio em lugar discreto e o consulte sem alarde. O que é inconcebível é olhar a todo momento para o relógio, dando a impressão que simplesmente não agüenta mais ouvir aquele paciente.

Fonte:


KARINA ALECRIM BESSA

sábado, 18 de setembro de 2010

ID, EGO e SUPEREGO

Você sabe o que significam as palavras ID, EGO e SUPEREGO?


Nos termos de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, nosso psiquismo é composto de três instâncias: ID, EGO e SUPEREGO.

ID


O ID é o aspecto inconsciente da nossa personalidade e é regido pelo princípio do prazer (onde as exigências demandam gratificações imediatas). Ao nascermos somos apenas ID. O bebê ao sentir fome chora até ter sua demanda satisfeita. Entretanto, se crescêssemos regidos pelo princípio do prazer não teríamos condições de viver em sociedade, pois arrancaríamos das mãos do outro aquilo que fosse necessário para satisfazer nossos próprios desejos.

O ID é o reservatório de toda a nossa energia psíquica e embora seus conteúdos sejam inconscientes, influenciam nosso psiquismo.

EGO


O EGO se desenvolve a partir do ID e é a instância psíquica que lida com a realidade externa. O EGO opera regido pelo princípio da realidade, que mede a relação custo benefício de uma ação antes de colocá-la em prática.

O EGO possui funções tanto conscientes, como por exemplo, a percepção, o juízo de valor, a linguagem... como também possui funções inconscientes, como é o caso dos mecanismos de defesa, que serão abordados em um próximo artigo.

SUPEREGO


O SUPEREGO é a última porção de nossa personalidade a se constituir e se forma não a partir do ID, mas a partir do EGO. O SUPEREGO é o depositário de nossos valores morais, de nossas regras de conduta, que se formam a partir do que nos é passado pelos nossos pais e pela sociedade. O SUPEREGO atua como um juiz sobre nossos pensamentos e ações, nos alertando acerca do que é certo ou errado, do que podemos ou não fazer. Segundo Freud, o SUPEREGO se forma a partir dos cinco anos de idade aproximadamente.

Nos termos de Freud, o segredo para uma personalidade saudável é o equilíbrio da interação entre as três instâncias psíquicas.


Direitos autorais reservados.

KARINA ALECRIM BESSA

sábado, 28 de agosto de 2010

Transtorno Bipolar do Humor

O transtorno bipolar do humor é uma doença caracterizada por oscilações do humor e do comportamento.

O transtorno bipolar não é uma doença nova. Há registros de que na Grécia antiga, já havia uma doença que evoluía da melancolia para a mania. Esse conceito permaneceu até o iluminismo europeu dos séculos XVII e XVIII, quando foram descritas várias entidades nosológicas de evolução cíclica ou periódica, como a loucura circular e a loucura de dupla forma, nos termos de Yuan-Pang Wang (2008).

No final do século XIX, ocorre um grande marco histórico para o entendimento do transtorno bipolar, quando Kraepelin, um psiquiatra alemão, separou as psicoses em dois grandes grupos (demência precoce e insanidade maníaco-depressiva), como bem elucida Del Porto, na revista brasileira de psiquiatria. Ao final de seus trabalhos Kraepelin conceituou a “insanidade maníaco-depressiva” e colocou especial ênfase nas características da doença que mais claramente a diferenciavam da demência precoce: o curso periódico ou episódio, o prognóstico benigno e a história familiar de quadros homólogos (maníaco-depressivos). O nome da doença evoluiu para “psicose maníaco-depressiva” e Del Porto lembra ainda que as classificações nosológicas atuais (DSM, CID 10) baseiam-se, em linhas gerais, ainda nos preceitos de Kraepelin.

O nome “psicose maníaco depressiva” foi substituído pelo termo Transtorno Bipolar do Humor, em razão de que na maioria das vezes os sintomas psicóticos não aparecem. Hoje, o transtorno bipolar é considerado um transtorno do humor, assim como a depressão unipolar, por exemplo.

O humor normal flutua. Quem não oscila entre alegria, tristeza, raiva, excitação? Para que essa variação seja considerada saudável é necessário, entretanto, que ela seja proporcional ao seu foco gerador, à situação que deu causa a oscilação.

No transtorno bipolar, aliás essa é sua característica mais marcante, ocorre uma alternância de estados de humor, onde há uma flutuação entre DEPRESSÃO e MANIA. Há ainda o chamado ESTADO MISTO.

DEPRESSÃO
A depressão do transtorno bipolar apresenta as mesmas características da depressão unipolar:

Perda de energia;

Baixa no estado geral de humor;

Cansaço físico ou psíquico;

Dificuldades de atenção, concentração e memória;

Pensamentos negativos;

Pessimismo;

Baixa auto-estima;

Baixa da libido;

Insônia ou sono em excesso;

Perda ou aumento de apetite.

MANIA

A mania do transtorno bipolar é uma espécie de euforia, onde o sujeito apresenta uma alta em seu estado geral de humor, com as seguintes características básicas:

Energia elevada;

Irritabilidade;

Aceleração física e/ou psíquica (aqui há uma aceleração do curso dos pensamentos);

Fala acelerada e exagerada;

Hiperatividade;

Pensamentos positivos;

Aumento da libido;

Muitas idéias;

Grandiosidade (falta de medo, sentimento de superioridade...)

ESTADO MISTO
No estado MISTO, o sujeito oscila entre depressão e euforia em 24hs ou pode haver, nos termos de Doris Moreno (2008), uma superposição de sintomas depressivos e maníacos, o que resulta em:

Alta ansiedade;

Desespero;

Angústia;

Aflição;

Irritabilidade;

Aceleração;

Agitação + lentificação (física/mental);

Aumento dos impulsos;

Aumento da fome;

Aumento do uso de álcool e drogas;

Aumento de sintomas obsessivo-compulsivos;

Insônia grave ou trocar o dia pela noite.

ESPECTRO BIPOLAR

As variações do espectro bipolar, nos termos de Diogo Lara (2009), são:

Tipo I: aqui temos o bipolar clássico, que oscila do pico mais elevado da mania para a depressão mais severa.

Tipo II: aqui existe uma predominância do estado depressivo. A fase maníaca é branda e é chamada de hipomania. O diagnóstico não é simples e muitos bipolares do tipo II são tratados como portadores de depressão unipolar.

Tipo III: esta classificação é usada quando a fase maníaca foi induzida por uso de antidepressivos ou psicoestimulantes, ou seja, o paciente faz parte do espectro bipolar, mas o pólo positivo foi descoberto pelo uso das drogas.

Tipo IV: aqui, elucida o autor, estão os bipolares que nunca apresentaram mania ou hipomania, mas que tem um histórico de humor mais vibrante, na faixa hipertímica. A fase depressiva geralmente tem características mistas.

CAUSAS DO TRANSTORNO BIPOLAR

Mas o que causa o transtorno bipolar?

Há estudos comprovando existir um forte componente genético aliado a fatores ambientais. Isso significa dizer que para desenvolver o transtorno bipolar do humor o sujeito precisa ter uma predisposição genética para tanto. Mas, isso não é suficiente. Aliada a essa predisposição genética existe o ambiente. Este se traduz por vivências e experiências do sujeito, desde o nascimento e principalmente no âmbito da família, já que nossas primeiras interações são com os pais e familiares. Quando o ambiente é hostil e desfavorável, as chances de desenvolver a doença são muito maiores.

TRATAMENTO

O tratamento do transtorno bipolar se dá, basicamente, por duas vias:

Psicoterapia - sob a responsabilidade de um psicólogo;

Psicofarmacologia - sob a responsabilidade de um psiquiatra.

A psicoterapia se faz extremamente necessária, principalmente no sentido de ajudar o paciente a aderir ao tratamento.

Há estudos comprovando a eficácia da terapia cognitiva no tratamento do transtorno bipolar. A terapia familiar também é útil, pois o transtorno bipolar envolve hereditariedade e quando um membro da família é identificado como portador do transtorno é preciso atenção, pois outros membros podem ser bipolares.

Quanto à psicofarmacologia, vários tipos de medicamento são utilizados no tratamento do transtorno bipolar, tais como:

Estabilizadores do humor - aqui o fármaco mais comum e conhecido é o lítio;

Antipsicóticos - esta classe de medicamentos tem sido amplamente utilizada e temos como exemplo: clozapina, risperidona, quetiapina dentre outros.

ENDEREÇOS ÚTEIS:

INSTITUIÇÕES NACIONAIS:

ABRATA – Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos.
Av. Paulista, 2644
São Paulo – SP

GRUDA – Grupo de Estudos de Doenças Afetivas – FMUSP
Rua Ovídio Pires de Campos, 225M
São Paulo – SP

Projeto Fenix

PRODAF – Programa de Distúrbios Afetivos e Ansiosos – UNIFESP
Rua Botucatu, 416 – Vila Mariana
São Paulo – SP

INSTITUIÇÕES INTERNACIONAIS:

Juvenile Bipolar Research Foundation

International Society for Bipolar Disorders



Direitos autorais reservados.

KARINA ALECRIM BESSA

domingo, 22 de agosto de 2010

Semana do Psicólogo



Nesta semana, no dia 27 de agosto, comemoraremos o Dia Nacional do Psicólogo. Há 48 anos, nesta mesma data, a profissão foi regulamentada pela Lei 4.119/1962. Desde então, a psicologia vem crescendo e ganhando seu espaço na sociedade brasileira, mostrando seu comprometimento ético com o modelo biopsicossocial de saúde.

A palavra psicologia tem origem em duas palavras gregas: psique (alma) + logos (estudo/ciência). Assim, psicologia significa “estudo da alma/mente humana”.

Parabéns a todos os psicólogos, psicólogas e estudantes de psicologia, que comprometidos com a ciência e a ética contribuem a cada dia para que se conheça um pouco mais acerca dos fenômenos do psiquismo humano, podendo assim oferecer intervenção e auxílio adequados àqueles que, em sofrimento psíquico, os procuram.

Oração do Psicólogo

Senhor,
facilita-me um conhecimento mais
profundo de mim mesmo para que eu
possa reconhecer o outro na sua plenitude;
permita-me ver o homem que está
diante de mim, para que eu possa ajudá-lo a
ver o que está em si;
possibilita-me um discernimento mais
abrangente, para que eu possa ajudar o
homem a resgatar a sua identidade
e o seu significado;
dá-me humildade para que eu possa
reconhecer os meus erros e os meus
limites, pois só assim poderei
transcendê-los;
ilumina esse nosso encontro, para que
possamos crescer juntos;
e bem aventurados os que podem
penetrar a natureza humana e
compreende-la;
e bem aventurados os psicólogos, que
tem a  benção de Deus, nesse
encontro com o outro.

(autor desconhecido)



KARINA ALECRIM BESSA

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Saber Viver - Cora Coralina

Saber Viver



Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar.

Cora Coralina, poeta brasileira
(1889-1985)


KARINA ALECRIM BESSA

sábado, 14 de agosto de 2010

Exercício Físico e Bem Estar Psicológico

Nos dias atuais são inúmeras as pessoas que sofrem de algum transtorno de ansiedade ou de humor.

A vida moderna, todos os avanços tecnológicos que vivenciamos nos últimos tempos, desde, por exemplo, o advento do automóvel até a internet transformaram consideravelmente nossas vidas. É inegável que poder sair de um ponto a outro de carro no lugar de montado a cavalo, como faziam nossos antepassados, é muito mais confortável. Mas, também é inquestionável que o trânsito nos grandes centros urbanos é um grande fator de estresse.

Vejamos o exemplo da própria internet. Por um lado é maravilhoso estar conectado em rede mundial, viver num mundo globalizado, acompanhar notícias em tempo real e desfrutar de todos os benefícios trazidos pela rede, como, por exemplo, escrever um blog. Por outro lado todos nós sabemos da preocupação que a internet gera nos pais de família, por exemplo.

A Organização Mundial de Saúde, nos traz que o índice de pessoas que sofrem de transtornos de ansiedade e depressão nos grandes centros urbanos é muito maior do que o das pessoas que vivem em pequenas cidades. Isso porque aliado a todo o aparato tecnológico, existem as preocupações da vida moderna que abrangem não só trânsito, mas também a violência urbana, o desemprego, dentre outros tantos fatores.

Assim, diante desse cenário, nós percebemos as manifestações dos mais diversos transtornos ansiosos. São os ataques de pânico, as fobias específicas e sociais, o TOC, o estresse agudo e pós-traumático, a ansiedade generalizada, para citar alguns. Bem como os quadros de depressão. É importante colocar aqui que a ansiedade e a depressão, embora apareçam muito em conjunto, elas possuem uma característica diferente. A depressão é sempre patológica. Já a ansiedade não. A ansiedade ao contrário da depressão é um espectro normal da vida do ser humano. É a ansiedade, por exemplo, que nos alerta contra os perigos para que possamos nos proteger e garantir nossa segurança. Mas, quando ultrapassa certos níveis, quando se torna desproporcional ao foco gerador, aí sim a ansiedade torna-se patológica e é um dos sinais mais evidentes de sofrimento humano.

O tratamento, tanto da ansiedade quanto da depressão, é feito de duas maneiras. Uma é o tratamento psicoterápico, que é realizado por um psicólogo. Mas, em algumas situações, há a necessidade de aliar a psicoterapia ao tratamento medicamentoso. Esse tratamento é feito por um médico psiquiatra, que trabalha em conjunto com o psicólogo.

O interessante, e é sobre isso queremos falar hoje, é que atualmente já existem estudos que provam que a prática regular e coordenada de exercícios físicos pode ser eficaz no auxílio do tratamento da depressão e da ansiedade. Não significa que apenas praticando exercícios o sujeito vai ficar livre da depressão ou de algum transtorno de ansiedade, seja pânico, estresse pós-traumático, ou qualquer outro. Mas, a prática de exercício físico vem se tornar um terceiro elemento terapêutico, ao lado da psicoterapia e da medicação. Vale ressaltar que os resultados alcançados pelos pesquisadores que se dedicaram a esse estudo foram muito positivos.

Nós sabemos que a depressão é um transtorno do humor. Então se a prática de exercícios físicos é eficaz no tratamento da depressão, também podemos concluir que a prática de exercícios físicos atua sobre o estado de humor do sujeito.

Mas, o que é humor? Humor pode ser definido como um estado de ânimo variável. Por exemplo, sentimentos de felicidade ou de tristeza que sejam passageiros são exemplos de humor. O humor normal flutua, oscila entre alegria, tristeza e irritabilidade, por exemplo.

Pesquisadores comprovaram que a prática de exercícios físicos pode alterar estados de humor. Por exemplo, pode diminuir o desânimo, a raiva, bem como aumentar disposição e a energia, tudo isso conferindo maior sensação de bem estar.

Nós vimos até agora, que a prática de exercícios físicos surte efeitos positivos, gerando bem estar psicológico. Vimos que, ao lado do tratamento psicoterápico e farmacológico, o exercício físico contribui para o tratamento das depressões e das ansiedades. Vimos ainda que o exercício físico atua sobre o estado de humor do sujeito, aumentando sua disposição, sua energia e diminuindo sua raiva ou seu mau humor.

Agora, por que será que o exercício físico promove todo esse bem estar psicológico? Segundo Weinberg & Gould (2001), Existem explicações fisiológicas e psicológicas.

As fisiológicas são:

Aumento no fluxo sanguíneo cerebral;
Mudanças nos neurotransmissores cerebrais;
Aumento no consumo máximo de oxigênio e liberação de oxigênio para os tecidos cerebrais;
Reduções na tensão muscular;
Mudanças estruturais no cérebro.

As psicológicas são:

Dar “um tempo” ou esquecer de problemas cotidianos;
Sensação de controle aumentada;
Sentimentos de competência e auto-eficácia;
Interações sociais positivas;
Melhora no auto conceito e na auto-estima.

Diante do exposto, podemos concluir que a prática regular e orientada de exercícios físicos traz benefícios de ordem psicológica ao ser humano, bem como se configura num plus no tratamento de transtornos de humor ou de ansiedade.

E você? Já se exercitou hoje?


KARINA ALECRIM BESSA